De onde vem o suporte ao Linux

A pouco tempo houvi de um analista que para todo processo ou configuração em software proprietário existia um white paper no site do fabricante que explicava passo a passo o processo. Explicando sobre software livre para ele, o mesmo me mostrou sua idéia sobre a plataforma que muitos analistas possuem: “não tem suporte”. A sua idéia era que para a resolução de um problema em open source, se envia uma mensagem de erro à comunidade, a qual nenhum faz idéia de onde fica, e se espera a boa vontade de algum adolecente de dezesseis anos para resolver o caso.

Essa ideologia na realidade foi criada pelas empresas de software proprietário. Hoje elas vendem seus produtos sempre destacando que existe o suporte do fabricante e informando que o suporte do concorrente é feito com base na boa vontade, a velha história dos moleques de camiseta preta.

A credibilidade do software livre está mudando com a entrada de grandes empresas vendendo seus servidores com Linux saindo de fábrica e oferecendo suporte aos sistemas operacionais. Exemplos desse processo são IBM e HP que adotaram publicamente que seus sistemas Linux possuem suporte feito pela empresa. A Dell também vende workstations com Linux pré-instalados.

Outra surpresa que mudou a cara do mercado e irritou alguns foi a alteração na forma de venda da RedHat com a versão Enterprise que possui suporte da própria empresa. O caso RedHat deu muita controvérsia no final do ano que se passou mas a empresa está no Brasil e vende Linux com suporte que pode ser até 24/7 dependendo do plano contratado.

Para as pequenas empresas os casos acima muitas vezes não são viáveis ou interessantes. Nesses casos entram empresas de consultoria em informática que “pipocam” em todas grandes cidades. Essa opção se integra tanto a instalação e configuração de aplciações quanto a suporte. As empresas desse ramo estão cada dia maiores e com profissionais dos mais qualificados do mercado.

As micro empresas que não contam com recursos para se utilizar das condições acima contam com profissionais no mercado que estão se especializando cada vez mais e a comunidade. O que se deve ter em mente quando se fala em comunidade é saber quem ela é e onde a encontramos. A comunidade é você, eu e muita gente que se compromete com o software livre.

Por trás de muitas aplicações livres usadas hoje e muitos portais genéricos ou específicos, existem muitas pessoas comprometidas com o suporte e desenvolvimento da plataforma. Hoje a ajuda que um profissional possa querer procurar se resume somente a problemas específicos. Qualquer profissional da área hoje encontra em sites de busca como o Google, resolução para qualquer problema que ele possa encontrar. Diversos fóruns mantém arquivos com milhões de soluções de problemas. Ao contrário da solução “white paper” que faz um “siga os meus passos” para o analista, o profissional pode escolher entre várias soluções para o mesmo problema, podendo assim aplicar o que ele considerar mais viável para sua estrutura.

O compromisso que existe com o software livre é realizado pela grande maioria dos analistas que o utilizam. Se você recebe ajuda de alguém da comunidade, fatalmente estará prestando ajuda a outros, é um processo. Essa idéia cria uma cadeia de ajuda e soluções, uma infinidade de documentação acessível a todos e criada por todos.

Por esse motivo que se cria o orgulho de trabalhar com Linux. A solução é sua, você contribui, ajuda a tornar mais forte do que já é. Mesmo se for somente utilizar a aplicação, sem envolvimento com projetos, você tem o total controle do que faz ou como faz, do que instala e de como as aplicações funcionam, se deseja alterar ou manter o software padrão.

O que o open source se propõe é vender serviço, valorizar o trabalho do profissional de informática, reconhecê-lo. A rede de conhecimento já existe e é facilmente acessível, basta saber usar. Essa forma de distribuição de conhecimento pode facilmente tornar você um excelente administrador de sistemas. E então, o que estamos esperando, mãos a obra!

Rodrigo de Oliveira Menezes

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